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01 Aug 2013 | Sei

Fã Clube Nando Reis

Nando Reis: ‘Sou um paradoxo’

Nando Reis: ‘Sou um paradoxo’

O fazedor de hits Nando Reis não se considera um hit entre os seus. É popular – devido aos muitos shows que faz e à alta arrecadação de direitos autorais, segundo o Ecad – mas também não é: evidencia o fato de nunca ser premiado. “Sou um paradoxo”, contou em entrevista ao Social1, em que defendeu que o artista não deve aderir à patota alguma nem vincular a sua arte à dependência qualquer – está há mais de um ano sem álcool nem drogas.

Você dialoga muito bem com a juventude. A que credita isso?
À música. Minha relação com a música é, de certa maneira, atemporal, não é geracional; ela não fala de algo para um gueto, mas toca em temas universais, que interessam a quem tem 50, 40 anos. São relações pessoais, angústias… Fico muito feliz, mas escrevo mesmo para tentar me expressar e encontrar sentido na minha própria vida. Embora eu queira que a música toque os outros, ela tem que me tocar antes. Depois, ela é de qualquer um; de quem pega e gosta.

Li que você é um dos que mais arrecada no Ecad [foi o 14º, na lista dos 20 mais, em 2013]…
Eu faço música e muita gente grava. Ao mesmo tempo é engraçado porque não sou um artista extremamente popular. Mas isso é bom, sou um paradoxo e eu gosto de paradoxos. Todo mundo me fala do ranking, mas não sou indicado nas premiações. Indicaram, ano passado, meu disco a Melhor Capa, mas esse prêmio deve ser do artista, não meu. Mas, tudo bem.

Por isso você não reconhece um lugar seu na música brasileira? Já li sobre isso também.
É que não sou filiado a nenhuma patota. A minha música transcende gênero, é música como deve ser. Não faço parte de onda, embora faça parte de uma geração de bandas, mas que nunca fizeram nada juntas. O pensamento de um artista tem de ser particular e próprio.

nandoreis1Rolou, na semana passada, um encontro de artistas na casa de Paula Lavigne. Trata-se da Associação Procure Saber. Qual o propósito? Tem muitas coisas: primeiro, unir e discutir assuntos que são comuns a todos. Nossa classe sempre foi desunida, mas há temas que envolvem e beneficiam todo mundo, não só os artistas. Tem discussões que são muito técnicas, trabalhistas, uma série de assuntos… É um fórum para pensar ideias e trazer soluções para coisas informais que precisam de regulamentação. Achei ótimo!

Nos últimos anos, você gravou com Ana Cañas e Roberta Campos e ajudou as duas a ganhar visibilidade. Como são esses encontros com artistas novos?
Não obedece a nada. Roberta me convidou e fui cantar pela beleza da música. É a minha afinidade. Já Ana Cañas, achei lindo o timbre de voz, e pessoalmente a gente se deu bem. Mas é da mesma forma que tenho entrosamento com a Marisa [Monte], de quem sou parceiro há mais de 20 anos. Também não sou bom observador do cenário nacional. Como sou músico, nem gosto de falar muito nisso. Mas fico feliz por ter contribuído. Quando faço show, ressalto que a música não é minha. Sei que para um artista isso é importante para formar a identidade. Faço questão de dizer.

Como vai você neste período sabático, sem álcool nem drogas?
Ôtimo! Sei que muitas vezes eu fiz show tendo bebido muito e tal, que acabou atrapalhando… Como sou paradoxal, não estou vinculado a isso. Qualquer dependência é ruim. Sou eu e a música. Com ou sem álcool ou droga, obedeço à minha musica. Gosto de possibilidades e fico feliz de ter essa conexão. A gente tem que ser livre.

A que você ainda não se adaptou?
Não me adapto a um monte de coisas: ao mundo estranho, por exemplo. Mas não me adapto mesmo a burrice.

Como analisa esse período eleitoral?
Está muito louco. A tragédia da morte de Eduardo Campos, que mudou o cenário, de certa maneira, permitiu quebrar a estagnada que havia entre PT e PSDB e abriu um pouco mais. Detesto dicotomia, o bem contra o mal. Acho isso redutor, medíocre. O cenário ficou tão diferente! Gosto dessa nova possibilidade de discussão, que não fica tão polarizada quanto a essas formas antigas de pensar.

Sua filha, Sophia Reis, também é artista. Rola algum conselho profissional?
Não sou um cara de dar conselho. Meus filhos veem a vida que eu levo, como me dedico ao trabalho, as dificuldades por que atravesso, com as minhas complexidades. Sophia é atriz e apresentadora, Theodoro e Sebastião são músicos. Tudo é trocado na intimidade, não tem caráter de conselho. Muito melhor é o que a gente faz. Para o bem e para o mal.

Por: Romero Rafael

18th setembro, 2014

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