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01 Aug 2013 | Sei

Fã Clube Nando Reis

Nando Reis e a história de Tupàc

Nando Reis e a história de Tupàc

tupac

Nando Reis postou hoje (23/07/2015) em suas redes sociais (VEJA AQUI) a foto de um cachorro de raça diferente com a seguinte legenda: “Cuzco: do Perú pra Jaú”. Decidimos então trazer a história de Tupàc, outro cão de mesma raça que Nando Reis adotou em Lima, Peru, contada pelo próprio cantor!

A HISTÓRIA DE TUPÀC…

Estava em Ubatuba, na praia do Lázaro, onde meus pais construíram uma casa nos idos de 1968. Deitado na rede, lia os jornais quando me deparei com a matéria inusitada: raça de cão pré-histórico peruano vira símbolo nacional. Na foto, o estranho cão, um “perro sin pelo”.

A pele lisa, cinza, totalmente desprovida de pelos. Couro puro, escuro, parecido com a tez do grande paquiderme. Na cauda canina um feixe de plumas avermelhadas ornava sua extremidade com uma leveza que constrastava com a robustez daquele bólido de carne. Uma pequena moita descia pelas rodillas e cerrava o punho fictício de quatro mangas de camisa que embrulhavam o mamífero. Sua boca entreaberta mostrava a cordilheira sinuosa dos dentes acidentados, onde se sobressaiam afiadíssimos caninos andinos. Do negrume da cratera, despontava a língua úmida de saliva que mais parecia o filete do bico de um psitacídeo. Olhos reluzentes de rubi, fulminavam a hipotética vítima com a mira de dois raios incas. E na fronte do crânio, um imprevisível topete moicano. Sobressaltado, exclamei: é ele!

De volta a São Paulo, empreendi uma busca, tão obstinada quanto inútil. Nada encontrei. Se hoje, sou ruim pra me virar na internet, pior ainda era há dez anos. Deleguei a tarefa para um jovem que na época estagiava em meu escritório. As poucas informações com que pude contribuir para a pesquisa vinham da minha fantasiosa imaginação, pois não tive o cuidado de guardar o interessante artigo. Todas as buscas feitas com criadores nacionais terminavam no mesmo desanimador “não tenho a menor ideia de onde você possa encontrar” isso quando não se encerrava de modo sucinto “nunca ouvi falar”, Até que um dia num telefonema ouvi o berro entusiasmado: “Achei!!!!…”

Nada mais óbio: o meu filhote de símbolo nacional do Peru se encontrava no canil de um criador que estava em… Lima! E lá fomos, eu e o jovem estagiário, em voo direto para a capital peruana. Requisitei seu préstimos necessitado de seu fluente castelhano. Chegamos à noite e nos instalamos num hotel no centro da cidade. No dia seguinte, fomos de táxi ao canil que era um pouco afastado. Chegando ao local, me lembro bem. Senhor Rodriguez nos recebeu calorosamente, impressionado com a determinação dos forasteiros vindos de tão longe. Nos contou sobre a recuperação da raça, desfigurada com cruzamentos impuros durante décadas de incúria.O peculiaríssimo cão tinha 3 portes diferentes e a mistura dos tamanhos de seres desproporcionais gerava verdadeiras aberrações. Foi quando de lá do fundo surgiu Lourdes, trazendo o gracioso filhote de porte médio. Era o último da ninhada. Cor de chumbo, seu pedigree registrava – coloração: cinza elefante. Assim que ela o colocou no chão ele, trôpego, veio em minha direção. Nos olhamos atônicos, e ao invés de um latido o que eu ouvi foi: “Papai!…”

Com os olhos marejados de lágrimas eu vi seu maravilhoso topete ruivo. Foi assim que adotei Tupàc.

– Nando Reis
*Texto extraído do livro ‘Amigos do Pelo’, cuja renda foi toda revertida para a causa animal em Natal- RN.

cao

23rd julho, 2015

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