SÃO PAULO-SP – CREDICARD HALL (28/01)

Último show da turnê do Bailão do Ruivão.

Sensação de fim de um ciclo. Sabe aquela sensação de fim de ano? Época de reavaliação, retrospectiva, reflexão, introspecção.

Cada show é um show único, mesmo que dentro da mesma turnê. E com essa sensação de fim de um ciclo que cheguei ao Credicardhall pensando que como o gostar de uma certa banda tem um impacto e uma influência significativa na vida das pessoas.

Perdi as contas de quantos shows infernais já fui até agora. A última contagem estava na casa dos quarenta e poucos shows, mas isso já tem mais de um ano. Preciso atualizar a contagem, mas acredito que agora esteja para mais de 50. E ainda assim, cada show continua sendo único. E sempre com o gosto de “quero mais”. Nem sempre as coisas precisam de explicação. Assistir ao “mesmo” show mais de 50 vezes certamente está entre essas coisas.

A noite começou com o show de abertura da Banda Suricato do baterista Diogo Gameiro, com Rodrigo Nogueira no vocal, guitarra e violão, e Mário Vargas no baixo. As músicas do Suricato são uma delícia de ouvir, as letras despertam a curiosidade de querer ouvi-las novamente, e o show prende a atenção do público. No meio do show, o Rodrigo Nogueira falou algo que não me recordo propriamente das palavras, mas a mensagem era a seguinte: as músicas entram em nossa vida sem a menor necessidade de um critério específico, como um belo timbre de uma guitarra. Elas entram, marcam e ficam. Nada mais apropriado para esse momento de reflexão.

Durante a espera do início do show comecei a me lembrar de tantas esperas já haviam passado, horas e horas de ansiedade que se justificavam a cada início de show. Me lembrei também dos inícios e fins das turnês que tive o privilégio de presenciar. Quantas histórias cabem em uma turnê? Em um show? Em uma música?

O show começou e já não era mais possível controlar o sorriso no rosto. Sensação inigualável de ver as luzes do palco se acendendo e trazendo consigo o brilho sobre aqueles que tanto gostamos de ver.

E com essa sensação de retrospectiva que a cada música a lembrança dos shows anteriores me voltava à cabeça. Ou ao coração? Afinal, saber “décor”, quer dizer saber de coração. Por isso acho que a lembrança é algo afetivo, e não racional.

Impossível diante dessa retrospectiva involuntária, tal um filme feito de imagens e sons, não se lembrar de todos que já passaram pela banda e que não mais lá estão. Quem é que escuta “As coisas tão mais lindas” e não se lembra da Juju Gomes? Quem é que escuta “Espatódea” e não se lembra da Lan Lan? E “Luz dos olhos”? Alguém consegue ouvir essa música e não ficar tocado pela falta do Carlos Pontual no palco? Lembranças que são para sempre, e décor.

Leia maisSÃO PAULO-SP – CREDICARD HALL (28/01)