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01 Aug 2013 | Sei

Fã Clube Nando Reis

SÃO PAULO-SP – CREDICARD HALL (28/01)

SÃO PAULO-SP – CREDICARD HALL (28/01)

Último show da turnê do Bailão do Ruivão.

Sensação de fim de um ciclo. Sabe aquela sensação de fim de ano? Época de reavaliação, retrospectiva, reflexão, introspecção.

Cada show é um show único, mesmo que dentro da mesma turnê. E com essa sensação de fim de um ciclo que cheguei ao Credicardhall pensando que como o gostar de uma certa banda tem um impacto e uma influência significativa na vida das pessoas.

Perdi as contas de quantos shows infernais já fui até agora. A última contagem estava na casa dos quarenta e poucos shows, mas isso já tem mais de um ano. Preciso atualizar a contagem, mas acredito que agora esteja para mais de 50. E ainda assim, cada show continua sendo único. E sempre com o gosto de “quero mais”. Nem sempre as coisas precisam de explicação. Assistir ao “mesmo” show mais de 50 vezes certamente está entre essas coisas.

A noite começou com o show de abertura da Banda Suricato do baterista Diogo Gameiro, com Rodrigo Nogueira no vocal, guitarra e violão, e Mário Vargas no baixo. As músicas do Suricato são uma delícia de ouvir, as letras despertam a curiosidade de querer ouvi-las novamente, e o show prende a atenção do público. No meio do show, o Rodrigo Nogueira falou algo que não me recordo propriamente das palavras, mas a mensagem era a seguinte: as músicas entram em nossa vida sem a menor necessidade de um critério específico, como um belo timbre de uma guitarra. Elas entram, marcam e ficam. Nada mais apropriado para esse momento de reflexão.

Durante a espera do início do show comecei a me lembrar de tantas esperas já haviam passado, horas e horas de ansiedade que se justificavam a cada início de show. Me lembrei também dos inícios e fins das turnês que tive o privilégio de presenciar. Quantas histórias cabem em uma turnê? Em um show? Em uma música?

O show começou e já não era mais possível controlar o sorriso no rosto. Sensação inigualável de ver as luzes do palco se acendendo e trazendo consigo o brilho sobre aqueles que tanto gostamos de ver.

E com essa sensação de retrospectiva que a cada música a lembrança dos shows anteriores me voltava à cabeça. Ou ao coração? Afinal, saber “décor”, quer dizer saber de coração. Por isso acho que a lembrança é algo afetivo, e não racional.

Impossível diante dessa retrospectiva involuntária, tal um filme feito de imagens e sons, não se lembrar de todos que já passaram pela banda e que não mais lá estão. Quem é que escuta “As coisas tão mais lindas” e não se lembra da Juju Gomes? Quem é que escuta “Espatódea” e não se lembra da Lan Lan? E “Luz dos olhos”? Alguém consegue ouvir essa música e não ficar tocado pela falta do Carlos Pontual no palco? Lembranças que são para sempre, e décor.

E foi em “Luz dos olhos” que Nando Reis trouxe ao palco, visivelmente emocionado, seus filhos Theodoro e Sebastião para tocar com ele. Theodoro nos vocais e Sebastião no violão. Sim, o mundo é bão!

E foi justamente nessa música que as lembranças ficaram mais intensas e as imagens de tantos shows passavam sem cessar, e inevitavelmente os olhos ficaram entre lágrimas, e o chão zombava das pernas fazendo com que elas tremessem. E tudo isso me trouxe a pergunta de qual o sentido de tudo? Não apenas o sentido de assistir um show repetidamente. Mas da opção de deixar que isso faça parte de sua vida, e de se deixar ser influenciado por isso. E a resposta é o que está por trás, ou relacionado, à opção de querer permitir ser influenciado pelo seu gosto musical.

Um show não é só um show: é uma possibilidade de desencadear de fatos e situações que dão sentido à vida. E justamente no meio dessa reflexão é que tudo ficou claro e fez sentido.
Show após show, a vida me permitiu e promoveu circunstâncias para que o destino pudesse acontecer: conhecer pessoas, cidades e estados que talvez ainda não tivesse conhecido se não fosse a vontade mobilizadora de querer assistir ao próximo show de novo, e de novo. E aí está a grande beleza da vida: conhecer pessoas, e em alguns casos reencontrar pessoas que você já conheceu, talvez não nessa vida, mas em algum momento passado. E aí sim, tudo faz sentido.

E com esses pensamentos, o show seguiu: “All star”, “Muito estranho”, “Gostava tanto de você”, “Relicário” tiveram um gosto diferente. O gosto salgado das lágrimas que invadiam o rosto, e o doce gosto de gratidão à vida por ter permitido viver tudo isso. Sentimentos antagônicos e marcantes.

Show de “fim de ano” também teve música nova. Não me lembro o nome da música, mas fala mais ou menos assim: “Sabe quando a gente tem vontade de encontrar novidade em uma pessoa? Quando o tempo passa rápido quando você está do lado dessa pessoa? Quando dá vontade de ficar nos braços dela e nunca mais sair?”. Fim de turnê traz intrinsecamente a vontade de saber como será a próxima. E por contar por essa música dá para ter ideia que outras dezenas de shows vão compor a minha histórica que se aproxima.

Mas assim como os dias acabam com o pôr-do-sol, e assim como a luz que nos penetra os olhos nos fazendo despertar do sonho, chega o momento em que as luzes se acendem marcando o final de mais um show. Começa então uma segunda etapa: a tentativa de falar com a banda. O que infelizmente dessa vez não aconteceu.

Já na área externa, encontramos o Julian e sua habitual atenção. Conversar com ele por cinco minutos é mais uma das coisas que justificam tantas idas aos shows: lições de vida de quem é uma pessoa do bem. Dessa vez ele contou a “parábola do vendedor de sabão”, que fala que não basta ter o produto certo, mas é preciso ler as instruções. Saí do Credicard com a sensação de que não basta apenas ter a vida como uma sucessão de dias e noites, mas é preciso dar a ela um sentido, e reconhecer e ser grata pelas dádivas por ela proporcionadas por meio de uma canção ou de 50 shows, isto é, reconhecer e ser grata pelas pessoas que modificam a nós e ao nosso destino. Ou que nos ajudam a encontrá-lo.

Com tudo isso na cabeça, inevitável também não lembrar de uma célebre frase que ouvi de um amigo que conheci justamente nessas sucessões de circunstâncias e shows que favorecem os encontros da vida: “não somos seres humanos vivendo experiências espirituais. Somos seres espirituais vivendo experiências humanas.” Algumas coisas “não tem explicação, não tem, não tem”. Mas sentido, certamente isso tudo tem.

Esse é um jeito de agradecer e reconhecer a importância de pessoas que, mesmo sem elas saberem, se tornaram muito importantes em minha vida. Obrigada, Micheline Cardoso, Felipe Cambraia, Alex Veley, Walter Villaça, Diogo Gameiro, Hannah Lima, Julian Dornellas, Carlos Pontual, Lan Lan, Juju Gomes, Lilian Valeska e Nando Reis por me fazerem ouvir a vida em outro tom e em outro volume.

E que comece logo o ano novo, seja ele em qual baile for.

Texto enviado por: Suzie

Veja fotos: AQUI

30th janeiro, 2012

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