Sei
01 Aug 2013 | Sei

Fã Clube Nando Reis

‘Nando’ por Martha Medeiros!

‘Nando’ por Martha Medeiros!

Em março deste ano a escritora Martha Medeiros publicou o livro ‘Quem Diria Que Viver Ia Dar Nisso’, espécie de diário poético, com crônicas que misturam memórias e histórias – as reais e as ficcionais.

Dentre os textos, ela contou como foi sua experiência ao assistir seu primeiro show do Nando, que aconteceu no dia 04/10/2015 em Porto Alegre/RS (voz e violão).

Como a gente adora gosta de compartilhar com vocês tudo relacionado ao poeta, trouxemos com exclusividade esta crônica na íntegra, extraída diretamente do livro!

Leia abaixo:

Com o celular na mão, percorro a timeline de pessoas que conheço e ali vejo tudo, desde bailes de debuntantes até manifestações políticas raivosas, desde homenagens a animais de estimação até piadas cruéis. Passo batido pela maioria das postagens, mas curto as indicações culturais, as viagens, o bom humor, as alegrias alheias. Ainda assim, me pergunto: onde me situo em meia a tantas ideias, tantas informação, tantos perfis?

Off-line. Foi onde me reencontrei. Com o celular mudo dentro da bolsa, dei atenção somente a ele, no palco, seduzindo e capturando a todos, música após música. Cada pedacinho de letra cantado com a alma fazia me sentir privilegiada por assistí-lo ao vivo pela primeira vez, domingo passado. Estou falando do Nando Reis, ex-titãs, ex-namorado da Marisa Monte, ex-melhor amigo de Cássia e ex-feio – porque até bonitinho se tornou depois de tanto sucesso.

Nando Reis, que eu só conhecia desses esteriótipos, desses resumos, recuperou minha inocência, me fez sorrir por dentro, acho que até ruborizada eu fiquei.

Quem tem projeção hoje em dia? Aquela criatura sinistra que preside a Câmara, os ladrões que se apoderam do dinheiro público, os protagonistas de conchavos e alianças vexatórias. Logo, é questão de sobrevivência fugir para o território neutro a fim de escutar um branquela ruivo, às vezes desafinado, que canta e celebra o amor. Soa como petulância evocar esse assunto em meio às turbulências políticas, mas é disso que se trata a coluna de hoje: o amor.

Nando Reis, acompanhado de seus dois violões, fez um espetáculo doce. Roqueiro em seu DNA, mas doce, cálido, poético. Não só pela poesia de suas canções, mas também por ter lido, entre uma música e outra, poemas de Vinícius de Moraes, Fernando Pessoa, Paulo Mendes Campos. Naquele teatro escuro, eu pensava: o que vale a vida, afinal? Aquilo que acontece lá fora ou o que acontece aqui? Como equalizar essas divergências?

A resposta estava dentro de mim. Sempre está dentro de nós. A realidade é a narrativa que contamos a nós mesmos. A minha poderia começar assim: “Estranho seria se eu não me apaixonasse por você…”, que é o primeiro verso da música ‘All Star’, composta por ele e eternizada por Cássia anos atrás.

Nando, estranho seria se eu não me apaixonasse por você, se eu não me comovesse, se eu não passasse aquelas duas horas do show recordando meus ex-amores e sonhando com os amores que virão, estranho seria se eu não me arrepiasse com a possibilidade de um novo encantamento, estranho seria se eu não me eternecesse ao ver alguém tão entrege à própria verdade e ao sentimento, estranho seria se todos nós, na plateia, não nos rendêssemos à raridade da emoção, essa que tanto apanha da razão, mas que ainda insiste, valentemente insiste em manter sua voz.

7 de outubro de 2015.

30th outubro, 2018

Sem comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *