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01 Aug 2013 | Sei

Fã Clube Nando Reis

Aos 50, Nando afirma: “ficar em casa é mais energético do que as turnês”

Aos 50, Nando afirma: “ficar em casa é mais energético do que as turnês”

o-musico-nando-reis-1357916415154_615x300Protagonista da história da música brasileira ao longo das últimas três décadas, Nando Reis completa 50 anos neste sábado (12) e mostra que o responsável por hits do peso de “Marvin”, “Família”, “Relicário” e “Por Onde Andei” é uma pessoa que não tem nenhum grilo com a questão da idade e assume que a sua maior excitação hoje em dia é ficar em casa, ao invés da correria dos shows pelo país.

Em turnê com o disco “Sei”, seu décimo trabalho solo, lançado em setembro de 2012 e que já emplacou a faixa-título entre as mais pedidas no Brasil, o músico também afirma que não tem mais paciência para ouvir rádio, apesar de ser um dos representantes do pop rock mais tocados nos últimos tempos e brinca que quer viver até os 100 anos.

O que há de prosaico na sua vida que se aproxime mais daquela de outra pessoa de 50 anos com uma rotina menos agitada?

A correria da minha vida tem a ver com o trabalho, que às vezes é entediante. Estou de saco cheio de ir para o aeroporto, essas coisas. Minha vida prosaica é justamente a que não me acomoda. Eu gosto de ficar em casa, ter uma rotina . O que para muitas pessoas pode ser uma situação extraordinária, excepcional, como viajar, para mim é entediante. Tenho menos saúde, disposição e paciência e mais experiência para certas coisas. Isso não significa um acomodamento por causa da idade. Com o passar do tempo, você fica mais seletivo. Hoje, prefiro mais a intensidade do que a quantidade. Ficar em casa, pra mim, às vezes é mais energético do que o frenesi das turnês.

Completar 50 tem algum significado na sua vida ou não mexe muito com a sua cabeça?

Eu não ligo muito para a questão da idade e não tenho esse culto à juventude. Juventude é assumir a idade que se tem e estar próximo de si. Fazer 50 tem um significado, porque intimamente acho que vou viver até os 100, então é um marco (risos). Não acho que seja um momento diferente daqueles mais prosaicos. Acho que a comemoração é importante, porque olhando para as coisas de maneira mais cíclica e periódica, você reflete.

Parece que o tempo, essas datas, são uma guerra contra a destruição, mas eu acho que o envelhecimento tem muitos ganhos. Na parte física, se perde um pouco: você tem bem menos cabelo, tem que dormir mais. Por outro lado, é gostoso estar distante de tantas angústias juvenis e saber quem você é e o que quer.

Quais foram as mudanças mais marcantes do Nando de 20 anos, que começava com os Titãs, em relação ao atual, em carreira solo e mais experiente?

O desejo de me aproximar de mim, nos aspectos familiares e profissionais fez com que eu mudasse. Então, o Nando Reis de agora, em comparação ao de 20, tem coisas muito diferentes. Mas é essa quantidade de diferenças que me mantém idêntico. A maneira como penso, ela admite e considera como elemento importante a resolução e o fracasso, porque ambas estão relacionadas.

Existem ainda muitos assuntos que gostaria de abordar nas músicas?

Aquilo que tenho como assunto para as músicas são as relações. Não tenho interesse de falar sobre outras coisas. Não porque não me interessem, mas não é do meu feitio. Trato todos os assuntos abordando o que fundamentalmente para mim é o principal, que é olhar para o outro e ver o que quiser.

Você é mais cuidadoso com a sua carreira hoje em dia?

Hoje, tenho mais recursos e experiência para cuidar de coisas que são necessárias e que no começo da carreira não só desconhecia, como não tinha condição. No entanto, tenho o mesmo descuido que tenho desde o primeiro dia. Quando subo ao palco, é bom que tudo aquilo que independe de mim esteja garantido e bem cuidado, para que aconteça algo que eu não posso cuidar, que é a relação com a plateia, o barato que vai acontecer. Tem um lado que é difícil, porque sou tímido, às vezes fico muito acuado. É preciso certo grau de sumiço para ficar à vontade e deixar acontecer. Subo ao palco sem planejar as falas, a ordem, e isso é um certo descuido, porque às vezes a maneira como resolvo isso é eficiente, mas às vezes não. Sempre me pergunto: “Será que não deveria tratar o show de maneira mais técnica?”.

O que você acha das músicas que tocam hoje nas rádios?

Ouço pouco o rádio e paradoxalmente acho a coisa mais linda. Pra mim, é o lugar onde tudo deveria ser tocado. Muitas das coisas que eu gosto chegaram a mim inesperadamente pelo rádio. No entanto, a maioria das rádios toca uma quantidade pequena de músicas, porque estão comprometidas com o marketing e dinheiro. Deixei de ouvir rádio porque é meio chata essa ideia, sempre com as mesmas músicas…

Por causa da correria de sua carreira , você tem a impressão de que o tempo passou de forma muito rápida?

Não tenho essa impressão. Muito mais quando penso em coisas breves: “Poxa, esse ano passou rápido”. Mas olho para trás e digo: “30 anos? Nossa, parece que eu nasci em 1700”, sabe? Pra mim, o tempo é sempre igual. Eu me lembro de coisas distantes e que parecem tão presentes. Às vezes, a vida passa até lentamente, e é bom que passe mais lenta mesmo. A ideia do futuro, ou das conquistas, do que vai acontecer não interessa para mim. Interessa o que está acontecendo agora.

12th janeiro, 2013

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